RADIO CB

 

 

 

RADIO CB

 

PORTUGAL

NOTA: Em Portugal é necessario um certificado de registo da ANACOM para poder utilizar  Radio CB,  que poderá solicitá-lo electronicamente através do Link:

https://www.anacom.pt

Para mais informações, consulte os Sites :

ANACOM

Radio CB

MARROCOS

ANRT – Maroc

Pedido de autorização para uso do Radio CB em Marrocos:

Os pedidos de autorização para uso em Marrocos de Radio CB, são destinados a estabelecer comunicção de convivio a curta distancia, e só estando autorizados a  funcionar com 40 canais de banda [26,960- 27,410] Mhz com a potencia maxima de 4 Watts.

 

A utilização dos Radio CB em Marrocos é regulamentada pela ANRT. A ANRT despacha as autorizações para uso dos CB, sendo para tal necessario enviar o formulario preenchido e assinado e com uma fotocopia do Passaporte do responsavel do Grupo. A utilização dos CB esta sujeito ao pagamento de uma taxa de 600Dhs TTC (54.15€) por cada Radio CB e por mês de utilização. Enviar por correio o formulario preenchido para:  ANRT, centre d’affaires, BP 2939, Hay Ryad RABAT.

IMPRIME DE DEMANDE D’AUTORISATION PROVISOIRE D’UTILISATION DE POSTES CB AU ROYAUME DU MAROC

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Guia Prático para Macanudos

Miguel Marques

Sumário A Banda do Cidadão (CB) tem princípios de tráfego muito simples que permitem a todos os seus utilizadores praticarem sem problemas esta ocupação de tempos livres cada vez mais apreciada. Esses princípios gerais são o respeito pelos canais de chamada e a não utilização de certas frequências que podem prejudicar outros utilizadores da banda de frequências dos 27 Mhz. O respeito por essas regras é a condição indispensável para fazer da CB uma forma autêntica de «convivência por rádio» capaz eventualmente de se tornar bastante eficaz em termos de assistência mútua. No entanto, é evidente que exige uma certa prática. É por isso que se aconselha aos novos praticantes que escutem primeiro algumas conversações CB, antes de efectuarem uma primeira chamada.

 

Princípios de Tráfego

Os Canais de Chamada

O tráfego CB articula-se em torno de vários canais de chamada que permitem aos adeptos da Banda do Cidadão (CB->Citizen Band) contactarem entre si ao acaso das ondas de rádio.

Existem duas frequências de chamada:

  • Chamada geral: canal 11
  • Chamada de urgência: canal 9

O Canal de Chamada Geral

O canal de chamada geral – ou seja, o canal 11 – é um pouco a sala dos passos perdidos da CB.

Nesta frequência, encontram-se utilizadores que procuram um correspondente.

Este canal, eixo em torno do qual se organiza todo o conjunto do tráfego, permite portanto ligar estações que se situam num sector bastante próximo. Estas, reconhecíveis pelo seu indicativo (ou «QRZ»), lançam uma chamada quando a frequência se encontra livre.

Esta chamada deve ser imperiosamente breve, compreensível e não ser efectuada a intervalos muito próximos a fim de não prejudicar o tráfego.

Tendo-se as estações identificado, irão prosseguir a sua conversação numa outra frequência a fim de libertar o canal de chamada.

O Canal 9

O canal 9 é o canal usado para as chamadas de urgência.

É nesta frequência que os utilizadores da CB se devem colocar quando um deles assinalou – normalmente no canal de chamada geral, ou canal 11 – que ocorreu um acontecimento que exige assistência.

A eficácia desta disposição só pode existir desde que os utilizadores dos 27 Mhz sejam disciplinados.

Todo o tráfego no canal 9 deve portanto ser eliminado excepto em situações graves e bem definidas, que obriguem a um «encontro» nesta frequência.

Em matéria de assistência ao nível da CB, principalmente na estrada, seria desejável que fosse seguido o exemplo dos Estados Unidos. Em certos estados deste país, os serviços de protecção e vigilância da estrada encontram-se assim em escuta permanente no canal 9, prontos a enviarem socorros em casos de necessidade.

Em França, o Automóvel Clube do oeste (A.C.O.) já se inspirou nesse sistema e tomou a responsabilidade de organizar em diversas cidades da Bretanha «standards CB» destinados a auxiliarem os acidentados da estrada ou os automobilistas com avaria, organizando os socorros.

Devemos felicitar esta interessante iniciativa experimental, que deve alargar-se proximamente dado que não se passa um dia sem que a disponibilidade da CB em matéria de assistência não seja utilizada.

Quer seja no canal de chamada geral, no canal 11, ou no canal 9, uma chamada deve ser portanto curta e compreensível.

Este imperativo coloca o problema da escolha de um indicativo.

Por evidentes razões de discrição, o operador de rádio só deve com efeito ser conhecido do conjunto das estações pelo seu pseudónimo ou nome próprio. Em CB, ao contrário do que acontece com os radioamadores, este indicativo não é imposto e é deixada grande liberdade na sua escolha.

Este esforço de imaginação necessário é aliás um dos atractivos suplementares da CB.

É assim que se vêem florescer em 27 Mhz indicativos como Osiris, Nautilus, Pânico, Hara-Kiri, Ladrão de galinhas, etc.

Para que a chamada em frequência seja efectivamente curta e inteligível, interessa que o indicativo seja breve (duas ou três sílabas), fácil de recordar e ainda não escolhido por qualquer outra estação.

No entanto, para que o amador possa ser facilmente identificado pelos seus interlocutores deve ser desanconselhado o recurso a um pseudónimo inspirado no alfabeto de chamada, pois em certas zonas de grande densidade de utilizadores, é já enorme o número dos Tango, Charlie, Papa Sierra, Alpha Bravo ou Fox Echo.

O «QRZ» será portanto de preferência original, curto e habitualmente seguido, pelo menos em França, de um número que corresponde ao departamento.

Em muitos países onde a CB já foi reconhecida, a escolha do indicativo é livre mas deve ser seguido do número da licença.

Nos EUA, o novo utilizador pode usar – o seu pseudónimo habitual seguido da letra K, das suas iniciais e do número de identificação do aparelho.

Mudança de Canal

A mudança de canal após um contacto estabelecido numa das frequências de chamada é um dado fundamental quanto ao equilíbrio e ao bom desenvolvimento da comunicação em CB.

Esta operação, designada «QSY», permite restringir ao máximo os riscos de saturação, particularmente nos canais de chamada.

Em contrapartida, quando se encontra um correspondente, é necessário em absoluto prosseguir a discussão numa outra frequência, o que deve ser feito com muita rapidez.

Esta mudança permite respeitar os outros utilizadores situados na proximidade e evita que o tráfego seja bloqueado, o que constitui um dos males endémicos da CB, principalmente nas grandes cidades. Este «QSY» não deverá portanto efectuar-se para um canal ocupado: será oportuno procurar uma frequência livre antes de «emigrar» para um dado canal.

Enquanto um dos interlocutores se mantém em «stand by» no canal de chamada, o outro poderá fazer a investigação.

Se a ligação se torna cada vez mais difícil devido à presença de parasitas, convirá efectuar outro «QSY».

Pode-se então «subir» ou «descer» de 10 quilohertz, isto é, prosseguir a conversa no canal situado imediatamente acima ou abaixo da frequência usada (dado que os canais CB são espaçados de 10 Khz).

Os Canais Reservados

Os adeptos da Banda do Cidadão partilham a frequência dos 27 Mhz com outros utilizadores.

Estes utilizadores são, como já foi visto, os amadores de radio-modelismo, e também os profissionais (taxis, garagens, etc.), possuidores de uma licença de exploração que lhes permite estabelecer ligações em 27 Mhz no âmbito da sua actividade.

Os profissionais que utilizam emissores-receptores homologados possuindo seis canais pagam uma taxa calculada de modo apropriado.

As frequências que lhes são destinadas estão compreendidas entre 27,290 e 27,430 Mhz, isto é, entre os canais CB n.º 28 a 43.

Estas frequências terminam por um «0» enquanto os canais CB terminam em «5».

No entanto, os profissionais podem ser incomodados pelos aficionados da CB, dado que as normas de selectividade dos aparelhos homologados não são suficientemente restritivas: pode portanto acontecer que estes utilizadadores legalizados sejam perturbados por comunicações CB que atingem os canais reservados.

Em geral, deve-se desaconselhar fortemente aos amadores da CB de comunicarem entre si na banda de frequência compreendida entre os canais 28 e 43, dado que este espaço é oficialmente garantido aos utilizadores profissionais legalizados.

Sublinhemos finalmente que o número de empresas que utilizam material radiando em 27 Mhz é cada vez menor, dado que as comunicações não possuem a fiabilidade suficiente devido à presença de numerosos parasitas e ainda às próprias características de propagação observada nesta frequência.

Nestas condições, os profissionais tendem hoje a preferir ligações mais seguras em modulação de frequência, entre os 80 e os 400 Mhz.

Tendo em conta os problemas dos amadores de radio-modelismo, devemos ter presente a necessidade de não comunicar na proximidade de aérodromos onde sejam normalmente organizadas actividades de radiocomando.

Regras de Tráfego

A CB contribui para atenuar o isolamento entre grupos sociais assim como a incomunicabilidade entre indivíduos cujo corolário é a indiferença generalizada.

No entanto, uma rádio de tempos livres não poderia ser verdadeiramente agradável se não fossem respeitadas algumas regras de tráfego, aliás elementares.

Estas disposições, que se impõem a todos, não se aplicam apenas à rede de assistência em que se pode transformar a Citizen Band em caso de acidentes de circulação automóvel, mas também ao tráfego CB corrente, tal como é realizado quotidianamente.

As características do desenvolvimento da CB em diferentes países conduziram a distinguir 3 fases de desenvolvimento sucessivas:

um primeiro período mais um menos longo dito de «implantação-habituação», depois de um outro «anarquia-saturação», e finalmente um terceiro de normalização progressiva dando origem a uma utilização relativamente «razoável» da frequência.

Actualmente, a CB encontra-se em muitos locais na fase de «implantação – habituação».

Da atitude dos amadores dependerá portanto no futuro a duração do segundo período, cujos efeitos nefastos já são visíveis em muitas regiões, em particular junto às cidades. Finalmente, a legislação tem alguma influência sobre o equilibrio do tráfego na medida em que a homologação de aparelhos dotados de uma vintena de canais aumenta os riscos de saturação e de indisciplina.

Só um comportamento responsável dos amadores permitirá que a CB não seja um «gadget» mas sim um instrumento de comunicação cuja existência se justifica plenamente.

São os amadores que devem demonstrar na prática o valor da banda do cidadão.

Desde o aparecimento da CB, os rádio-clubes e certas associações esforçaram-se por elaborar um código deontológico da banda do cidadão.

Este propõe-se definir o que deve ou não ser feito em 27 Mhz, a fim de realizar um tráfego estabilizado que permita satisfazer as necessidades de todos conciliando o desejo de comunicar e os riscos de saturação dos canais disponíveis.

Este código deontológico é apenas proposto aos amadores; estes estão são livres de o adoptarem ou não.

A disciplina imposta por uma rádio de tempos livres só pode existir se for livremente aceite pelos seus utilizadores.

O que se deve fazer

O tráfego CB deve ser guiado por 3 motivações principais: respeitar as outras estações, saber tornar-se útil e contribuir para tornar agradáveis as comunicações CB.

Respeitar as outras estações

O tráfego CB coloca em presença um número muito grande de estações numa banda de frequências bastante reduzida; nestas condições, é imperioso que os amadores adoptem um comportamento que não seja susceptível de entravar a liberdade de comunicação do conjunto de adeptos dos 27 Mhz.

Respeitar o anonimato

O princípio de base da comunicação em banda do cidadão é o respeito pelo anonimato de cada estação.

Qualquer delas deve ser conhecida apenas pelo seu indicativo ou pelo nome próprio do operador.

Estas disposições baseiam-se no carácter específico das conversações «rádio de tempos livres» que leva estas a encontrarem-se a meio caminho entre a comunicação do tipo privado (cada amador dirige-se a uma ou várias pessoas bem definidas) e de tipo de público (a regra do jogo permite que eventuais auditores possam intervir em qualquer momento da discussão). Aliás, a experiência mostra que um certo número de amadores de rádio dedicam-se sobretudo à escuta e pouco à emissão, e que uma conversação é sempre escutada por várias estações; em CB, toda a gente escuta portanto toda a gente.

Assim, se se indica «confidencialmente» ao correspondente um local particularmente interessante para recolha de cogumelos ou para a pesca à linha, há grandes possibilidades de aquele não ser o único a aproveitar, pois em 27 Mhz o segredo da conversação é impossível!

Por razões bem compreensíveis esta particularidade exige portanto que o amador mantenha o mínimo de discrição quanto ao seu nome e endereço, não indicando do mesmo modo as coordenadas das outras estações que venha a conhecer.

Assim, aconselha-se a não dar em frequência um número de telefone qualquer, se se pretende não ser incomodado por brincadeiras de mau gosto.

Estas necessidades de discrição não impedem um conhecimento mais amplo dos interlocutores, organizando contactos visuais apropriados.

Mudar de Frequência

Já sublinhamos o facto de o equilíbrio e o bom funcionamento do tráfego CB estarem intimamente ligados à brevidade das chamadas do canal reservado para este efeito. Recordemos portanto que esta frequência é unicamente consagrada ao contacto entre estações, devendo estas últimas realizar imperativamente o seu diálogo noutros canais a fim de não prejudicarem ninguém e evitarem bloquear o tráfego.

Pedir um «Break» para intervir numa conversação

Quando uma estação deseja participar num contacto já iniciado, ela não deve intervir de qualquer maneira, e ainda menos interromper um dos interlocutores. Com efeito, segundo as regras, o amador deve esperar pelo fim da intervenção de uma estação para se manifestar rapidamente lançando um simples «break» ou «oportunidade».

Se este sinal é escutado, é-lhe deixado um espaço em branco que lhe dará a possibilidade de se anunciar.

Fazer sistematicamente espaços deste género permite aos eventuais auditores manifestarem o seu desejo de entrar na discussão.

Então um «QSO» associando mais de dois intervenientes exigirá uma certa disciplina da parte dos participantes, e principalmente que intervenham em funça de uma ordem definida.

Uma estação poderá aliás encarregar-se do papel de «moderador», distribuindo a palavra pelos vários intervenientes.

A necessidade de não interromper as conversações em curso respeita igualmente ao tráfego em canal de chamada.

Será portanto necessário evitar a realização de uma chamada em frequência quando nos arriscamos a sobrepor-nos a uma outra chamada em curso, o que conduzirá a uma completa ininteligibilidade de ambas as chamdas.

Finalmente, os ensaios de regulação da antena deverão ser efectuados em canis livres.

É certo que é extremamente desagradável ver as comunicações perturbadas por incessantes ondas portadoras.

Fazer intervenções breves

O tráfego CB exige que o interlocutor não monopolize o microfone e se esforce por falar o mínimo tempo possível, sobretudo quando uma das duas estações se encontra num veículo em movimento.

Esta precaução explica-se pela extrema irregularidade das comunicações em 27 Mhz.

Estas podem com efeito tornar-se completamente inaudíveis de uma momento para o outro, sobretudo quando nos encontramos em veículos.

Por esta razão, se um amador fala durante demasiado tempo, arrisca-se a falar… no vazio ao fim de algum tempo sem que o seu interlocutor tenha possibilidades de lhe assinalar o enfraquecimento da ligação.

Em CB, ao contrário do que acontece nos contactos telefónicos, é com efeito impossível emitir e receber simultaneamente.

Identificação

A Citizen Band comporta certas regras de cortesia.

Uma delas consiste em identificar-se indicando o seu ou seus correspondentes o indicativo (QRZ) no início do contacto e em recordá-lo eventualmente no final da emissão.

Do mesmo modo, o utilizador deve informar que vai deixar de emitir (passar a QRT), principalmente quando conversa com várias estações.

Saber tornar-se útil

A CB não é apenas um instrumento de comunicação.

Eventualmente, ela pode prestar pequenos e grandes serviços em matéria de assistência, sobretudo na estrada.

Estas diversas aplicações podem consistir em alertar imediatamente os serviços de segurança na estrada (ambulância, policia, etc.), lançar um apelo a dadores de sangue, ajudar um automobilista com o carro avariado ou organizar uma condução por rádio que permita evitar engarrafamentos.

Os casos de urgência

Os amadores demonstram muitas vezes que podem contribuir para a segurança de toda a população.

Mesmo que não exista uma rede de assistência CB, importa que cada um saiba estar pronto a agir em caso de necessidade.

A frequência de urgência é o canal 9.

Este canal é estrita e exclusivamente destinado ao «agrupamento» dos utilizadores quando a situação exige que os seus esforços sejam coordenados. Se uma estação testemunha um acidente, é preferível que se manifeste no canal de chamada, ou seja, canal 11, sendo esta frequência onde é provável encontrar correspondentes, acompanhando a sua mensagem da palavra «Mayday», que indica urgência de chamada.

É então necessário:

  • Indicar com grande rigor o local onde se produziu o acidente;
  • Avaliar o número de feridos e a gravidade dos seus ferimentos;
  • Pedir aos amadores situados nas imediações de um telefone que notifiquem o hospital ou o médico mais próximo, tal como os serviços de segurança da estrada;

Solicitar eventualmente um agrupamento geral no canal 9.

Nesta última eventualidade, nenhuma estação, além das directamente presentes no local, deve intervir.

Trata-se de ficar em «stand by» no canal 9, recebendo as instruções de assistência.

Este tipo de rede de assistência pode ser usado para acidentes na estrada, mas também para obter urgentemente sangue, por exemplo. É portanto absolutamente indispensável seguir todas as indicações que são dadas pelas estações presentes no local.

No entanto, convém também desconfiar dos falsos apelos de urgência, e confirmar todos os alertas na medida do possível.

A maior parte das associações de utilizadores organizam aliás benevolamente redes «preventivas» assegurando «assistências-rádio» aquando de manifestações desportivas (provas de ciclismo, regatas, etc.).

Indicações de tráfego automóvel

Este tipo de indicações fazem parte desses pequenos serviços que os automobilistas equipados com CB podem fazer uns aos outros espontaneamente.

O condutor que procura uma rua numa cidade desconhecida pode contar com o espírito de iniciativa dos amadores CB, pois encontrará sempre alguém que lhe indicará a melhor maneira de se dirigir a ela.

Do mesmo modo, é através da CB que se torna possível conhecer imediatamente a existência de um engarrafamento e o modo de o evitar, e saber que o nevoeiro diminui a segurança num sector da estrada,

… ou ainda que um controlo de radar obriga «a levantar o pé».

A extensão e a diversidade destes serviços que a CB pode fornecer na estrada explica em grande parte o êxito que continua a ter nos Estados Unidos, tal como de resto na Europa.

No entanto, é necessário que todos se preocupem não só em aproveitar estas vantagens em proveito próprio, mas também estando sempre prontos a fazer beneficiar delas os outros utilizadores.

Tornar atraentes as comunicações CB

O conteúdo das comunicações CB não se encontra regulamentado; todos os tipos de temas podem ser abordados desde que não se traduzam por choques verbais sistemáticos.

Assim, toda a propaganda (mas não a discussão) de natureza religiosa ou política e toda a publicidade comercial são legalmente banidas em 27 Mhz.

Só é portanto proscrita a utilização da Citizen Band como meio de expressão unilateral – isto é, excluindo o diálogo a fim de que as convicções de cada um possam ser respeitadas.

Assim, os domínios de discussão são extremamente vastos: técnica de rádio, gastronomia, turismo, etc.

Já se viu até organizar através da rádio partidas de xadrez encarniçadas e mães perguntarem às filhas se sabiam de cor a lição!

O tráfego em 27 Mhz pode portanto ser simultaneamente instrutivo, divertido ou insólito.

O utilizador deve contribuir para tornar interessantes estas trocas de palavras, esforçando-se por fazer aproveitar da sua experiência os neófitos e procurando interessar os auditores ocasionais, potenciais interessados na banda do cidadão.

O que não se deve fazer

Todos os utilizadores devem estar conscientes daquilo que o tráfego CB não deve ser.

É com efeito vital que uma rádio de tempos livres não se traduza por uma interferência nas emissões televisivas, não seja tornada impraticável pelo recurso anárquico a amplificadores lineares e não se caracterize pela agressividade dos seus adeptos.

Finalmente, o manejamento do «squelch» dos aparelhos deve ser efectuado de modo a permitir às estações longínquas de se manifestarem.

Não perturbar as televisões

Já referimos a sensibilidade de certos receptores de televisão às perturbações que podem ser provocadas pelos emissores-receptores CB.

É certo que, relativamente à utilização da FM, nem todas as televisões se encontram neste caso, e que os modelos mais recentes são praticamente insensíveis a estes problemas dado que dispõem de uma blidagem reforçada e de filtros especiais, pouco caros e eficazes, concordantes com as normas adaptadas por certos países, como a Alemanha.

No entanto, a maior parte dos receptores e certas cadeias de alta fidelidade ainda não estão imunizadas contra este tipo de interferências.

Face a este lamentável estado de coisas, o utilizador deve dar provas de tacto e tomar certas precauções elementares sob pena de sofrer não apenas a hostilidade da sua vizinhança como ainda de ser levado a tribunal.

Quais devem ser então as disposições tomadas a fim de assegurar uma coabitação pacífica entre os teleespectadores e os utilizadores da frequência dos 27 Mhz?

Este problema diz respeito principalmente à estações fixas.

Com efeito, as estações móveis que, por definição, se deslocam, só originam problemas restritos e fugidios enquanto as estações fixas situadas na proximidade de uma antena de televisão provocam interferências permanentes.

Se a utilização exclusiva da modulação de frequência (FM) permite afastar ao máximo os riscos de interferência, convém estar bastante atento aos comentários dos vizinhos e, em quaisquer circuntâncias, não procurar ignorá-los.

O mais simples é não modular nas horas de maior escuta televisiva.

Não utilizar amplificadores lineares

O recurso sem moderação (aliás sempre proibido) a amplificadores linerares é fonte de numerosas perturbações de tráfego em 27 Mhz.

A utilização deste tipo de material deve ser portanto desanconselhada em geral, quanto mais não seja porque o «QRM-tele» é assim consideravelmente reforçado.

A CB não pode com efeito fazer concorrência em termos de potência com este tipo de equipamento.

Não ser agressivo

O tráfego CB é por vezes voluntariamente afectado por alguns perturbadores que, protegidos pelo anonimato, debitam palavras injuriosas e que têm prazer em impedir as comunicações da maior parte dos utilizadores, particularmente no canal de chamada.

Impõe-se portanto tratar essas pessoas com o maior desprezo, tendo o cuidado de nunca lhes responder pois o seu fim é de facto sabotar o tráfego CB. Se este «perturbopatas», a maior parte dos quais teria necessidade urgente de uma consulta ao psicanalista, não conseguirem qualquer resposta, cansar-se-ão rapidamente.

Notemos que a multiplicação das estações é tal que as observações deste maníacos são cada vez mais cobertas por outras emissões.

Independentemente destes exemplos, é desejável que os utilizadores não dêem nunca provas de agressividade em frequência.

Paciência e correcção, mesmo quando a atitude de alguns é criticável, são as qualidades que devem caracterizar o utilizador em todas as circunstâncias.

Uma tal atitude deve igualmente impedir a formação de pequenos grupos, principalmente quando alguns pretendem «apropriar-se» de um outro canal ou impedem outros de participarem numa conversação não tendo em conta os seus pedidos de «break».

Não comunicar com o «squelch» bloqueado

O botão «squelch», situado no emissor-receptor, permite bloquear a recepção abaixo de um dado limite.

Este instrumento de regulação permite só captar estações situadas nas proximidades, evitando assim um ruído de fundo desagradável.

No entanto comunicar com o «squelch» bloqueado impede a recepção de sinais vindos de estações afastadas.

Convém portanto não dar provas de egoísmo, deixando a porta aberta aos eventuais intervenientes numa conversa já iniciada.

Finalmente não percamos de vista o facto de o bloqueio do «squelch» poder impedir a captação de uma chamada de urgência longínqua principalmente em estrada.

Origens da Banda do Cidadão

A Banda do Cidadão ou a Citizen Band ou mesmo a CB nasceu nos Estados Unidos após a segunda guerra mundial.

Foi com efeito nesta época que os radioamadores americanos manifestaram o seu interesse pela criação de um tipo de comunicações por rádio entre particulares na banda de frequência dos 27 MHz.

Porquê os 27 MHz? Porque esta frequência encontrava-se destinada desde já há algum tempo às aplicações industriais, científicas e médicas (I.C.M.).

Era portanto pouco propícia a uma comunicação por rádio, dado que era perturbada continuamente por aparelhos de grande potência com ressonância em 27 MHz.

No entanto, estes primeiros adeptos de uma forma de rádio praticada em tempos livres conseguiram convencer os responsáveis das telecomunicações americanas que, a partir de 1953, autorizaram 23 canais em 27 MHz e introduziram pouco tempo depois uma licença que deu origem a uma “frequência dos cidadãos” incluída na banda dos 11 metros.

O fenómeno tomou pouco a pouco uma certa amplitude nesse lado do Atlântico (a partir de 1959 observaram-se 6.000 pedidos de licença por mês) e foi exportado lentamente para a Europa, particularmente para os países nórdicos, onde a Suècia foi o primeiro a reconhecê-lo jurídicamente.

No entanto, só em 1975/6 a Citizen Band americana conheceu um verdadeiro “boom”: enquanto em 1974 tinham sido vendidos 1.7000.000 aparelhos, as vendas anuais atingiram já 4.5000.000 em 1975, 11.3000.000 em 1976, ano record, caindo depois para 7.200.000 em 1977 e 3.500.000 em 1978.

Hoje, o parque CB americano eleva-se a mais de 30 milhões de aparelhos nas mais diversificadas aplicações!

Na origem desta forte expansão encontra-se a limitação de velocidade nas auto-estradas americanas, devido à crise da energia. Com efeito, esta limitação teve como primeira consequência uma perda de salário dos motoristas cuja remuneração se encontrava ligada à quilometragem percorrida.

Para estes assalariados, o recurso a aparelhos de CB surgiu então como a melhor solução contra os controlos policiais na estrada, assim como um modo de romper o isolamento das extensas estradas e aumentar a segurança.

Aliás, já foram produzidos diversos filmes tendo como tema a comunicação CB entre camionistas.

Esta utilização sistemática da Citizen Band deu assim um novo impulso ao seu desenvolvimento do outro lado do Atlântico, pois tornou-se cada vez maior o número de automobilistas interessados no seu emprego.

No entanto, como já indiquei, o aumento do mercado da CB apenas durou alguns meses.

A consequência desta saturação económica foi a chegada massiva à Europa do excedente de emissores-receptores, que vieram alimentar uma procura cada vez maior.

Por sua vez, o velho continente conhecia agora a loucura da Banda do Cidadão …

Chegada à maturidade nos Estados Unidos, cada vez mais popular na Europa e nos outros países industriais (a Banda do Cidadão é ainda, com efeito um privilégio dos países ricos, se bem que agora com alguma abertura aos países chamados de Leste), a rádio dos tempos livres impõe-se já como um facto social incontestável.

Respondendo perfeitamente a necessidades de ordem prática mas também a desejos mais profundos, e dinamizada por incessantes inovações tecnológicas, ninguém duvida de que a CB tem ainda um grande futuro à frente apesar da sua morte anunciada para o dia 31 de Dezembro de 1999.

Miguel Marques.

 

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